Biografia

1915 – Nasce no Bairro do Arruda, em 25 de maio. A área pertencia a Olinda, mas depois passa a ser parte do Recife.

1920 – A família muda-se para a Rua dos Prazeres, na Boa Vista. Ali inicia os estudos e faz o curso primário, em meados da década, no Grupo Escolar Manoel Borba e no Grupo Maurício de Nassau.

1928 – Faz exames no Ginásio Pernambucano, é aprovado, mas não pode se matricular em virtude das dificuldades financeiras da família.

1929/31 – Não frequenta escolas e estuda em casa. Começa a ler revistas, livros, entre os quais A Ilusão Americana, de Eduardo Prado, e Sonata a Kreutzer, de Tolstoi. As obras pertenciam à médica Amélia Cavalcanti, prima do seu pai, que foi amiga de Tobias Barreto e morreu muito pobre. Acompanha os debates sobre política no País e tem simpatia pelos feitos da Coluna Prestes.

1932 – Matricula-se no Ateneu Pernambucano, de Waldemar Valente, seu primo, e Pelópidas Galvão, cunhado de Waldemar, onde estuda à noite e de dia trabalha em serviços burocráticos. Exerce a função de conferente de Carga e Descarga, no Porto do Recife, e depois segue para Salgueiro, onde trabalha na Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.  Volta angustiado com o ambiente de desespero, doenças e mortes.

1933 – Ingressa na Ação Integralista Brasileira – AIB, convencido de que tinha de lutar contra a fome e a pobreza, o flagelo das secas e a injustiça. Escreve os primeiros artigos no jornal O Ateneu e assiste ao lançamento da chapa proletária, no Teatro de Santa Isabel, onde Cristiano Cordeiro, fundador do Partido Comunista, desperta sua atenção.

1934 – Em conflito com as teorias e práticas da Ação Integralista, pede desligamento da organização, mas termina sendo expulso. É acusado pelos dirigentes de ser um “espião” do Partido Comunista e adversário do integralismo.

1935 – Mantém contatos com Alcedo Coutinho, da Aliança Nacional Libertadora, e fica entusiasmado com os ideais do movimento. A tentativa de golpe em 1935, a repressão do Governo, detém o impulso de engajamento político na causa.

1936 – Refaz o curso secundário no regime do Art. 100, que permite a conclusão do ensino médio, para maiores de 18 anos, em dois períodos letivos.

1937 – Ingressa na Faculdade de Direito do Recife. Colabora com as revistas Resenha Literária e Presença, comentando livros e literatura. Nas provas, em algumas matérias, recorre a improvisos e faz citações de juristas inventados, para justificar suas conclusões.

1939 – Passa a apoiar os estudantes de esquerda e começa a fazer política contra o Estado Novo e o Governo Agamenon Magalhães. Atua no Diretório, executa tarefas, combatendo as teses fascistas.

1941 – Antes de concluir o curso, casa-se com Maria Ofélia Figueiredo, sua prima. Trabalha no Departamento de Saúde Pública.

1942 – Passa a trabalhar também no Hospital Português, onde exerce funções burocráticas, como secretário. Nasce Moema, em junho.

1943 – É convidado para exercer o cargo de promotor interino, em Alagoa de Baixo, antiga Lagoa da Cachorra, hoje Sertânia. Tem dúvida, mas assume o cargo.

1945 – Participa do enterro de Demócrito de Souza Filho, assassinado num comício contra a ditadura, na Pracinha do Diário de Pernambuco. Nasce Magnólia, em fevereiro. Escreve o ensaio Eça de Queiroz O Revolucionário, premiado pela Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife.

1946 – Aprovado em concurso, é nomeado para exercer o cargo de Promotor Público em Goiana. Mantém contatos com parlamentares do Partido Comunista, prestando assessoria em assuntos jurídicos. Funda a Associação do Ministério Público de Pernambuco, junto com Solon Araújo e Fernando Mendonça.

1947 – Candidato a deputado estadual, na legenda do PSD, fica na 1ª. suplência. Assume o mandato na vaga de Barros Barreto, convocado para integrar o Governo Barbosa Lima. Nasce o filho Carlos, em abril.

1948 – Passa a integrar o corpo de redatores da Folha do Povo. Defende na Assembléia o mandato dos comunistas e protesta contra a prisão de Gregório Bezerra.

1949 – Integra a delegação de Pernambuco ao Congresso Brasileiro em Defesa da Paz e da Cultura, realizado na sede da  UNE, no Rio. A polícia espanca os participantes, Paulo é ferido, junto com o jornalista João Saldanha e Luiza Ramos, filha de Graciliano Ramos. Em abril, pede filiação ao Partido Comunista, então na ilegalidade. Participa de ato no Teatro Marrocos, contra o acordo militar Brasil-Estados Unidos.

1950 – É reeleito para o período 1951/54, fazendo oposição aos Governos Agamenon Magalhães e Etelvino Lins e combatendo os atos de violência do Governo Federal. Exerce o mandato defendendo os direitos de associação, liberdade de opinião e pensamento.

1952 – É escolhido “Deputado do Ano” pela bancada de Imprensa da Assembléia. Os jornalistas também lhe conferem o título de “Folião do Ano”.

1953 – Viaja à União Soviética e volta entusiasmado com os avanços conseguidos pelo regime socialista. Reage às perseguições contra jornalistas, comunistas e nacionalistas, e denuncia as tentativas de golpe de Estado.

1954 – É impedido de disputar um novo mandato, por decisão do TRE, que aceita o pedido de impugnação, feito pelos integralistas.

1955 – Ao lado de Clodomir Morais e Sousa Barros, organiza o Congresso de Salvação do Nordeste, que se realiza em agosto. Participa da campanha da Frente do Recife, que elege Pelópidas da Silveira, o primeiro Prefeito do Recife, no século XX, escolhido pelo voto direto. Na gestão de Pelópidas, exerce os cargos de secretário de Assuntos Jurídicos, Administração e de Finanças.

1957/58 – Integra o grupo da Frente do Recife, que se engaja na campanha de Cid Sampaio ao Governo do Estado. No final do período, passa a articular a candidatura de Miguel Arraes para suceder Pelópidas da Silveira na Prefeitura do Recife.

1959 – Publica Eça de Queiroz, Agitador no Brasil, pela Companhia Editora Nacional. O livro é premiado pela Academia Pernambucana de Letras, Academia Brasileira de Letras e pela Câmara Brasileira do Livro. Redige um manifesto de jornalistas defendendo a candidatura de Arraes para a Prefeitura do Recife.

1960/61 – Apoia a chapa Lott-Jango para a Presidência e Vice da República, defende os estudantes da Faculdade de Direito, ameaçados de massacre pelo Exército, no Governo Jânio Quadros. Junto com o Partido, a esquerda defende a posse de João Goulart, em 1961, que os militares tentavam impedir após a renúncia de Jânio.

1962/63 – Tem ativa participação na campanha de Miguel Arraes, candidato da Frente do Recife ao Governo do Estado. Com a eleição de Pelópidas da Silveira para prefeito do Recife, é nomeado Secretário de Administração do Município.

1964 – É preso na Associação da Imprensa de Pernambuco, no dia 8 de abril – era a primeira de um total de 11 no regime militar -, e levado para o quartel da Companhia de Guardas, na Visconde de Suassuna, hoje Edifício Promotor de Justiça Paulo Cavalcanti, onde fica 42 dias. É aposentado pelo Ato Institucional nº  2, em agosto, fato que o DOPS registra em outubro.

1965/67 Atua como advogadode presos políticos. É mantido sob vigilância do DOPS e da 2ª. Secção do IV Exército. Escreve o ensaio Os equívocos de Caio Prado Júnior, publicado pela editora Argumentos, em 1966.

1968 – Visita o Uruguai, a Argentina e o Chile. Tem encontros com Jango, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Thiago de Mello, ex-deputados Almino Afonso, Gilberto Azevedo, Almir Braga, Clodomir Morais e o ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão.

1970 – Com o partido desarticulado, restando ele e Mano Teodósio como os militantes mais conhecidos, participa da campanha para o Senado, apoiando José Ermírio de Moraes, candidato do MDB, que perde a disputa.

1973/74 – É preso, mais uma vez, acusado de atividades subversivas. A repressão não impede que participe, ao lado de integrantes da Frente do Recife, da campanha para eleger Marcos Freire, candidato ao Senado. Ao final, no pleito de 74, Marcos Freire tem uma vitória consagradora nas urnas.

1976/77 – Após ser novamente preso, viaja a São Paulo para exames, sendo operado pela equipe do Dr. Adib Jatene. Recebe três pontes de safena e depois é reoperado. Volta ao Recife, fica em recuperação e, no carnaval de 77, em fevereiro, faz um teste das coronárias. Bebe uísque, pula a noite inteira e sente que resiste bem ao esforço.

1978 – Publica o livro O caso eu conto como o caso foi, primeiro volume, pela Editora Alfa Ômega, de São Paulo. Participa da campanha de Jarbas Vasconcelos, candidato das oposições ao Senado.

1979 – Junto com Ofélia, viaja à União Soviética e à França e mantém contatos com Prestes, em Moscou, e Gregório Bezerra, em Paris.

1980 – Publica o segundo volume de O Caso Eu Conto Como o Caso Foi e tem encontro com Prestes, no Recife. As relações se complicam, em virtude das críticas à Carta aos Comunistas, de Prestes, que discorda das objeções.

1981/82 – Participa da campanha de Andrade Lima Filho para a retomada da Associação da Imprensa de Pernambuco. Publica o livro Nos Tempos de Prestes, terceiro volume das memórias.

1984/85 – Articula a reestruturação da União Brasileira de Escritores, Seção de Pernambuco. Eleito presidente da entidade, lidera a delegação de Pernambuco ao Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, em abril de 85. Cuida da reorganização do Partido Comunista. Lança A luta Clandestina, quarto volume das memórias, e apóia a candidatura de Roberto Freire a prefeito do Recife. O pleito de 85 é vencido por Jarbas Vasconcelos.

1986 – Integra a campanha de Arraes ao Governo do Estado e defende, na área cultural, o apoio aos candidatos da Frente Popular. Lança a plaquete Breve História de um Governo Popular, Edições Pirata, e participa dos Comícios da Frente.

1988 –  Presidente de Honra da União Brasileira de Escritores – Seção de Pernambuco, é escolhido Presidente de Honra do 1º Congresso de Escritores do Nordeste, realizado no Teatro José Carlos Cavalcanti Borges, em outubro, quando a entidade completou 30 anos.

1989/90 – Viaja a Portugal e mantém contatos com intelectuais portugueses, numa homenagem ao escritor Ramalho Ortigão. Participa da luta para manter a sigla e os símbolos do Partido Comunista Brasileiro. Apóia a candidatura de Jarbas ao Governo do Estado, no pleito de 90, ao lado dos integrantes da Frente Popular de Pernambuco.

1992 – É eleito vereador do Recife, na coligação Frente Popular, disputando o pleito em nome do Partido Comunista, de sua sigla, símbolos e objetivos.

1993 – Lança o livro Homens e Idéias do Meu Tempo, pela Editora Nordestal.

1994 – Exerce o mandato e tem atuação voltada para a defesa dos interesses populares. Lança o livro Vale a Pena (ainda) ser Comunista, pela Gráfica Inojosa.

1995 – É homenageado por amigos e admiradores na festa dos 80 anos e morre no Procárdio, no Recife, dia 31 de maio. O corpo foi velado na Assembléia Legislativa, onde milhares de pessoas, portando rosas vermelhas, prestaram reverência a sua memória, e no seu enterro, no Cemitério de Santo Amaro, centenas de vozes entoaram cantos de protesto, amor e esperança.

(Cronologia da Vida e da Obra”, texto transcrito do livro ELOGIO DA RESISTÊNCIA – EVOCAÇÃO A PAULO CAVALCANTI,  de Nagib Jorge Neto / Perfil Parlamentar do Século XX, Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco – Recife, PE, 2001).

 

 

 

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